Federação Pró Costa Atlântica

Deus é Sebastianense

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Continuo achando que Deus é sebastianense. Morros desabaram por tudo quanto foi canto, tragédias enormes se abateram sobre Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Niterói e em São Sebastião houve apenas pequenos escorregamentos. O maior, em Juquehy, onde um morro desabou sobre uma casa, sem prejuízos de vidas.

Quando, nestes tempos todos de sua existência, as sociedades de amigos reclamam contra construções em morros, quando a SAMJU, de Juquehy, entrou com ação contra a Promarca (em 1985, por causa de um loteamento com 45 casas no morro entre Juquehy e Barra do Una; quando a Federação Pro Costa Atlântica denunciou as construções no morro do Capuçu também na década de 80; quando se insiste em não permitir invasões e desmatamentos em morros, por criarem áreas de riscos; quando a Sapeque, de Toque Toque Pequeno, denunciou construções irregulares, em morros e até sobre cachoeiras; quando cada sociedade e a própria Federação denunciam que as irregularidades continuam acontecendo, há sempre os que afirmam tratar-se de rabugices, exageros, coisa de ecochatos e até de histerismo. Lembro de um prefeito de São Sebastião que afirmou que “os ecologistas quando cai uma árvore acham logo que caiu o mundo.”

Exageros? Vejam o que aconteceu no Rio de Janeiro e em Niterói. Em Angra dos Reis. O que é preciso lembrar é que a serra do Mar é uma só, se estende pelo litoral todo e é feita do mesmo material – terra resultado de erosões há bilhões de anos – e com pequena camada suportando a vegetação. Ela escorrega, sim, quando agredida. E às vezes, até, sem ser agredida pelo homem, escorrega só com o peso da chuva infiltrada, como aconteceu em Angra, quando o morro caiu soterrando uma pousada e matando muita gente. Aquele pedaço de mata atlântica não tinha sido agredido, estava íntegro e parecendo muito firme no morro acima da pousada.

É por isso que acho que Deus, além de brasileiro é sebastianense.

Nas grandes chuvas – e como chove nesta terra! - tenho muito medo do que possa acontecer em nossos morros agredidos por casas e barracos sem que os poderes públicos tomem providências efetivas.

Nós, da Federação Pró Costa Atlântica estamos recebendo fotos e mapas de construções irregulares feitas pelo Leandro Saadi, que voa sobre o litoral e nos avisa do que vai acontecendo. E temos uma audiência marcada com o Secretário Estadual da Habitação, engenheiro Layr Krahenbuhl que nos vai passar o planejamento daquela secretaria para resolver os problemas de construções em áreas de risco.

Estamos esperançosos. Até porque a esperança é sempre a última que morre.

Vejam nas fotos desta matéria o que aconteceu em Juquehy nas últimas chuvas. E notem que os escorregamentos atingiram – ou estão na iminência de atingir – não barracos de gente de pouca renda, mas casas de classe média alta.

Vale lembrar que na subida de Juquehy para Barra do Una está sendo construída uma casa literalmente dependurada no morro e cuja situação a Secretaria de Obras da prefeitura de São Sebastião diz que está totalmente em ordem, obedecendo toda a legislação. Que Deus nos livre de uma desgraça por ali!

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