Federação Pró Costa Atlântica

É preciso mudar!

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Devemos fazer uma reflexão sobre as eleições em São Sebastião. Eu, pelo menos, quero fazê-la. Em primeiro lugar, somando-se os votos de Juan (12.748), aos do Felipe (11.993), os do Puga (1.828), os de Amorim (828) os nulos (1.676) e os brancos (942), temos 30.045 sufrágios. Contra 15.748 dados ao atual prefeito. Isso quer dizer que mais de trinta mil votantes não estão satisfeitos, contra cerca de quinze mil satisfeitos com o atual governo.
Tem alguma coisa errada nisso? Tem. O sistema para auferir a preferência do eleitorado não é perfeito. Se houvesse um segundo turno o resultado com toda a certeza não seria esse. A democracia, então, está errada? Não. Apesar de imperfeita, ainda é o melhor sistema existente.
Isso para dizer que vamos continuar na mesma: muita rua pavimentada no município e casas com terceiros e quartos andares proliferando nessas mesmas ruas pavimentadas, sob os olhos complacentes do governo municipal.
Muita pintura de muros e paredes no tom verde invadindo a cidade e muitos barracos invadindo o verde da Mata Atlântica sem que nada seja feito, pelo contrário: gente ligada ao governo dando telhas e madeirite para barracos serem construídos e ampliados.
Muita gente construindo de forma irregular e na beira de rios e/ou em áreas de risco e a fiscalização de olhos fechados, cômoda e placidamente refestelada em suas salas com ar refrigerado.
E as mesmas respostas de sempre às denúncias da Federação Pró Costa Atlântica sobre irregularidades: “estamos fiscalizando”, “nada de irregular” e “enviamos ‘comunique-se’ ao construtor”. E daí? Daí nada!
Transparência? Onde está? Agilidade? Cadê? Providências para as épocas vindouras, de pré sal e de aumento do porto? Ninguém as vê. Fiscalização mais aguerrida? Não há verbas. Mas há verbas, sim, para centenas de cargos de confiança. Há verbas para shows milionários. Há verbas para concentrações de igrejas, confundindo-se governo e religião. Há verbas para tudo, menos para uma boa e eficiente fiscalização, coisa imprescindível neste município tão agredido, tão vilipendiado, tão abandonado às traças!
Temos, enfim, mais quatro anos pela frente e receio que seja o mesmo do mesmo. Trinta mil e poucos descontentes precisam ser conquistados se o prefeito quiser fazer seu sucessor – quem sabe o filho ou a mulher? – e para tanto precisa mudar radicalmente seu estilo de governar.

Regina Helena de Paiva Ramos
Escritora, jornalista e vice-presidente da Federação Pró Costa Atlântica

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