Estudo revela devastação ambiental em São Sebastião

Fonte: O VALE
NOSSA REGIÃO Junho 26, 2011 - 04:00.
Carolina Teodora
São Sebastião
Divulgação
Mapeamento aéreo flagra 310 novas construções na costa sul do município em praias como Maresias, Barra do Sahy e Camburi
Mapeamento sobre a construção em áreas de preservação permanente acende um sinal de alerta sobre o patrimônio verde do Litoral Norte.
Estudo da Federação Pró Costa Atlântica, divulgado na última semana, revela que 310 obras irregulares surgiram na costa sul de São Sebastião, na região da Mata Atlântica.
O levantamento é o primeiro realizado na região e mostra que os sertões das praias de Juqueí, Maresias, Camburi e Barra do Sahy são as mais afetadas pelos invasores.
O mapeamento foi feito através de fotografias aéreas tiradas todas as semanas da costa sul do município nos últimos dois anos, entre janeiro do ano passado até o início deste mês.
A maioria das construções irregulares são casas de baixa renda. A federação, que reúne 15 associações que representam diferentes praias do município, custeou o estudo.
Audiência. A devastação registrada pelo mapeamento vai ser tema de uma audiência pública que acontece nesta sexta-feira, dia 1, em São Sebastião.
O objetivo do encontro é detalhar aos moradores o perfil e lugar das ocupações, abrir a discussão sobre o políticas públicas de preservação ambiental e estudar a possibilidade de ampliar a abrangência do mapeamento que, nessa primeira etapa, envolveu apenas a costa sul da cidade.
Segundo a entidade, o debate é necessário porque as invasões podem se agravar com as obras do pré-sal e a ampliação do porto. A entrada na audiência é livre e gratuita (veja quadro abaixo).
“Essa ocupação não é de hoje, acontece há décadas e o poder público precisa tomar medidas efetivas para deter esse processo de degradação que está cada vez mais rápido”, afirmou Sergio Pereira de Souza, 73 anos, advogado e presidente da federação.
Segundo Souza, o encontro também tem a intenção de cobrar dos órgãos públicos maior fiscalização e agilidade na implementação do projeto de preservação da Mata Atlântica. “É preciso ainda cobrar ações de planejamento e atendimento à população que precisa”, disse.
Outro lado. Eduardo Hipólito do Rego, secretário de Meio Ambiente de São Sebastião, afirmou que o mapeamento é importante por ser mais uma ferramenta para auxiliar a fiscalização da prefeitura. Segundo ele, o problema registrado não é exclusivo do município ‘é um cenário de todo o litoral’. Rego disse ainda que até abril, 29 casas em áreas de preservação foram demolidas em operações. “A prefeitura tem fiscalização própria só que os invasores agem mais rápido do que nosso poder de combate, principalmente, porque nosso solo é muito permeável”, afirmou. A prefeitura ampliou o ainda as ações em parceria com o Estado.